CASAS ESTRANHAS: CULTURA POP JAPONESA E A PLANTA BAIXA COMO NARRATIVA NO ENSINO DE PROJETO ARQUITETÔNICO

Autores

  • Arthur Zanuti Franklin
  • Wilian Bráz Focca
  • Humberto Vinício Altino Filho
  • Ludmila Breder Furtado Campos

DOI:

https://doi.org/10.21576/pensaracadmico.2026v24i4.4834

Resumo

O ensino de projeto arquitetônico envolve a interpretação de usuários, comportamentos, vínculos e necessidades que ultrapassam a simples organização funcional dos ambientes. Nesse contexto, estratégias de aprendizagem ativa podem contribuir para aproximar o estudante de situações que exijam análise, tomada de decisão e reflexão sobre as consequências espaciais de suas escolhas. Este artigo tem como objetivo analisar uma experiência de aprendizagem ativa inspirada na obra Casas estranhas, do autor japonês Uketsu, discutindo a utilização da cultura pop e da planta baixa como dispositivo narrativo no ensino de projeto arquitetônico. A atividade foi desenvolvida no primeiro semestre de 2026, na disciplina de Projeto de Arquitetura IV, com estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo. Organizados em grupos, os participantes receberam situações fictícias envolvendo diferentes conflitos domésticos e foram desafiados a traduzi-los em plantas baixas residenciais. Posteriormente, as propostas foram trocadas entre os grupos, que passaram a formular hipóteses sobre os moradores e as circunstâncias capazes de explicar as decisões espaciais observadas, com mediação dos grupos responsáveis pelas propostas. A análise evidenciou diferentes graus de legibilidade entre as propostas, evidenciando que acessos, percursos, proximidades, afastamentos, hierarquias e relações visuais puderam funcionar como indícios para a construção de interpretações. Também se observou a possível participação do repertório cultural na formulação de algumas hipóteses, embora a experiência não permita estabelecer relações causais entre esse repertório e a facilidade de interpretação. A atividade evidenciou que a planta baixa pode ultrapassar sua condição de representação técnica e assumir também uma dimensão narrativa, permitindo trabalhar o projeto arquitetônico em dois movimentos complementares: transformar relações humanas em decisões espaciais e interpretar essas decisões para reconstruir narrativas possíveis sobre seus usuários.

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Publicado

2026-09-25

Edição

Seção

Dossiê: Estratégias de Aprendizagem Ativa