APLV
DIFICULDADES DO DIAGNÓSTICO CLÍNICO E OS IMPACTOS NA SAÚDE INFANTIL
Resumo
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das reações de hipersensibilidade mais prevalentes na infância, com manifestações clínicas que variam de sintomas gastrointestinais a cutâneos e respiratórios. Essa heterogeneidade, somada à semelhança com outras condições, contribui para diagnósticos tardios e manejo inadequado, resultando em impactos nutricionais, emocionais e sociais significativos. O presente trabalho teve como objetivo analisar as dificuldades encontradas no diagnóstico clínico da APLV e os efeitos decorrentes dessa condição na saúde infantil.
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de pesquisa nas bases SciELO, PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordavam aspectos clínicos, diagnósticos e nutricionais da APLV. Após a triagem inicial de 114 artigos, 21 estudos foram incluídos na análise, considerando sua relevância e adequação ao tema proposto. Os resultados apontaram que o diagnóstico da APLV ainda é um desafio devido à falta de padronização dos métodos disponíveis e à inespecificidade dos sintomas, principalmente nas formas não mediadas por IgE. O teste de provocação oral foi identificado como o método de maior acurácia diagnóstica, porém apresenta riscos que exigem acompanhamento médico rigoroso. Verificou-se também que o atraso no diagnóstico e a adoção inadequada de dietas de exclusão comprometem o estado nutricional da criança, podendo causar carências de cálcio, proteínas e vitaminas. Além disso, os custos elevados das fórmulas especiais e a escassez de suporte multiprofissional ampliam as dificuldades enfrentadas pelas famílias, acarretando sobrecarga emocional e financeira. Conclui-se que a APLV demanda uma abordagem interdisciplinar, envolvendo pediatras, nutricionistas e psicólogos, de modo a garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e suporte integral à criança e à família. O reconhecimento precoce dos sintomas e a capacitação dos profissionais de saúde são fundamentais para minimizar os impactos nutricionais, clínicos e psicossociais, promovendo uma melhor qualidade de vida às crianças acometidas.