AUMENTO DOS DIAGNÓSTICOS DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA INFANTIL

AVANÇO CIENTÍFICO OU SOBREDIAGNÓSTICO?

Autores

  • Maria Luísa Pereira Alves Cicarini

Resumo

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e presença de comportamentos repetitivos. Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo na prevalência da condição. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças indicam que, em 2020, 1 em cada 36 crianças foram diagnosticadas com o transtorno, passando para 1 em 31 em 2022. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar em que medida o diagnóstico de TEA na infância está relacionado aos avanços científicos ou à ocorrência de sobrediagnóstico. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, do tipo revisão narrativa, com caráter exploratório e descritivo, baseada na análise crítica de estudos publicados entre 2010 e 2025, disponíveis nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, além de dados estatísticos oficiais. Os resultados mostraram que o aumento dos diagnósticos não se deve apenas à maior incidência real da condição, mas também às revisões dos manuais DSM-5 e CID-11, ao uso ampliado de escalas padronizadas e ao crescimento da conscientização social. Fatores genéticos, perinatais e ambientais também se associam ao aumento das taxas de TEA. Contudo, o estudo alerta para os riscos do sobrediagnóstico e da medicalização excessiva da infância. Conclui-se que o aumento dos diagnósticos reflete tanto avanços científicos quanto desafios na precisão diagnóstica, reforçando a importância de avaliações criteriosas e baseadas em evidências.

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Publicado

2026-04-08

Edição

Seção

Medicina