O MANEJO DA PRÉ-ECLÂMPSIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Resumo
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20ª semana, geralmente associada à proteinúria e outros sinais de disfunção orgânica. Essa condição representa uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no Brasil e no mundo, sendo considerada um grave problema de saúde pública. Diante disso, o presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo principal destacar a importância do acompanhamento pré-natal como estratégia essencial para o diagnóstico precoce e o controle eficaz da pré-eclâmpsia, a fim de reduzir riscos para a gestante e o feto.
Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, com abordagem qualitativa, fundamentada em artigos científicos, protocolos clínicos e documentos oficiais publicados entre os anos de 2012 e 2024. A revisão de literatura evidenciou que o pré-natal qualificado, com consultas regulares, exames laboratoriais e avaliação criteriosa dos sinais e sintomas, permite identificar precocemente os fatores de risco e os primeiros sinais clínicos da pré-eclâmpsia. Entre os principais fatores predisponentes estão a primigestação, obesidade, histórico familiar, doenças preexistentes como hipertensão crônica e diabetes, além de condições socioeconômicas desfavoráveis.
A atuação multiprofissional, especialmente na Atenção Primária à Saúde, mostrou-se crucial para a efetividade do cuidado pré-natal. Cabe à equipe da atenção primária realizar o acolhimento da gestante, aplicar protocolos de triagem, orientar quanto aos sinais de alerta e garantir o seguimento adequado das condutas médicas. Além disso, a humanização do atendimento, o vínculo com a gestante e o empoderamento por meio da educação em saúde são estratégias que fortalecem a adesão ao pré-natal e contribuem para a prevenção de agravos.
Conclui-se que a assistência pré-natal de qualidade é o principal instrumento para reduzir as complicações decorrentes da pré-eclâmpsia, possibilitando intervenções clínicas em tempo oportuno. O investimento em capacitação profissional, políticas públicas de acesso universal ao pré-natal e a valorização da atuação multiprofissional, são fundamentais para o enfrentamento desse desafio obstétrico. Assim, a detecção precoce da pré-eclâmpsia não depende apenas da tecnologia disponível, mas sobretudo da vigilância contínua, do cuidado integral e da escuta ativa às demandas das gestantes.