A VIVÊNCIA DO LUTO NA ROTINA MÉDICO-VETERINÁRIA
UMA ANÁLISE SOB A PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA E DA MEDICINA VETERINÁRIA
Resumen
O presente trabalho contou com o objetivo de compreender as percepções de médicos-veterinários e psicólogos sobre o luto na prática veterinária, analisando seus impactos na saúde mental e a necessidade de preparo emocional para lidar com essas situações. O luto é uma reação emocional natural e universal que se sucede à perda, vivenciada a partir da morte concreta ou uma perda simbólica. Os veterinários desempenham importante função no âmbito da saúde animal e humana, entretanto, quando estes enfrentam o luto, eles o fazem sozinhos, pois o luto na medicina veterinária se válida apenas à um círculo limitado e não apresenta reconhecimento social. O ambiente estressor que os médicos veterinários vivenciam com frequência os sujeitam a Síndrome de Burnout, “fadiga de estresse empático” e ideação suicida. Logo, saúde mental não significa apenas ausência de transtornos e sofrimento, mas ao equilíbrio emocional e as adaptações às tribulações, em outras palavras, o desenvolvimento da resiliência. A metodologia da presente pesquisa foi exploratória, de caráter bibliográfico e qualitativo, foi realizada por meio de questionário online (Google Formulários) e aplicada aos médicos-veterinários e psicólogos de Manhuaçu-MG. A pesquisa contou com vinte participantes, demonstrando dados relevantes para a temática, destacando 82% dos veterinários vivenciando regularmente o luto na rotina clínica e nas demandas de eutanásia, onde a mesma porcentagem foi observada em relação a não receber treinamento específico durante a formação acadêmica sobre manejo do luto, bem como dados importantes sobre o impacto emocional nos veterinários na perspectiva da psicologia e na visão dos próprios veterinários, destacando a fadiga por compaixão, a Síndrome de Burnout, ansiedade e depressão, bem como estratégias para enfrentar o luto e os momentos de perda, evidenciando a importância do psicólogo nesse contexto. Com isso, evidencia-se como o despreparo dos médicos-veterinários na ocorrência de perdas e no manejo do luto, na formação acadêmica, a alta frequência com que vivência casos de perda animal e consequentemente situações de luto, interferem significativamente na saúde física, mental, social e espiritual desses profissionais, destacando a importância de investir em práticas de autocuidado e bem-estar.