EFICÁCIA CLÍNICA E RACIONALIDADE ECONÔMICA NO TRATAMENTO DA ANEMIA FALCIFORME
UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE TÉCNICAS TRANSFUSIONAIS EM MANHUAÇU-MG
Resumo
anemia falciforme é uma doença genética de elevada prevalência no Brasil, associada a complicações clínicas graves, como síndrome torácica aguda, crises vaso-oclusivas e acidentes vasculares cerebrais. Diante desse cenário, as transfusões sanguíneas representam uma das principais estratégias terapêuticas, com destaque para a exsanguineotransfusão manual e a eritrocitaférese terapêutica automatizada. Embora ambas tenham como objetivo a redução da proporção de hemácias falciformes circulantes, suas diferenças técnicas e operacionais geram impactos distintos sobre a eficácia clínica, a segurança transfusional e os custos associados ao tratamento. O objetivo deste estudo é comparar os dois métodos transfusionais, considerando a aplicabilidade clínica, os custos diretos e indiretos e a qualidade de vida dos pacientes. Para isso, foi realizada uma análise descritiva e comparativa, baseada em levantamento bibliográfico e dados econômicos oficiais do sistema público de saúde, abrangendo as etapas técnicas, a frequência das sessões, os riscos de complicações e a viabilidade de implantação em diferentes contextos assistenciais.
Os resultados demonstram que a exsanguineotransfusão manual, apesar do menor custo por sessão, apresenta limitações como maior dependência da habilidade da equipe, menor precisão no controle dos volumes retirados e maior frequência de procedimentos, geralmente quinzenais. Esse perfil está associado a maior risco de sobrecarga de ferro e maior incidência de complicações clínicas, o que aumenta a necessidade de hospitalizações. Por outro lado, a eritrocitaférese automatizada mostrou maior seletividade na remoção das hemácias falciformes, melhor estabilidade hemodinâmica, menor tempo de execução e intervalos mais longos entre as sessões, em média mensais. Esses fatores contribuem para a redução da sobrecarga transfusional, do risco de eventos adversos e das internações hospitalares, ainda que a técnica apresente custo inicial mais elevado e demande treinamento especializado.
Conclui-se que a eritrocitaférese terapêutica automatizada representa uma alternativa eficaz e segura para o manejo da anemia falciforme, com vantagens clínicas e econômicas a médio e longo prazo. A análise evidencia que, apesar do investimento inicial, a redução das complicações graves e das internações hospitalares gera economia significativa para o sistema de saúde, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Já a exsanguineotransfusão manual mantém sua relevância em contextos com restrição de recursos, mas reforça a necessidade de estratégias que viabilizem o acesso progressivo às tecnologias automatizadas em regiões de menor infraestrutura.