A CASA COMO ESPAÇO DE REGULAÇÃO SENSORIAL

SOLUÇÕES PROJETUAIS PARA AMBIENTES RESIDENCIAIS DESTINADOS A PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Autores/as

  • Lívia Stutz Dias Santos Araujo

Resumen

O ambiente residencial participa da organização das rotinas, das atividades e das relações estabelecidas no cotidiano, podendo favorecer ou dificultar a permanência e a apropriação dos espaços. Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista,
essa relação também é influenciada pelas diferentes formas de perceber e responder a sons, luzes, texturas, odores, movimentos e demais estímulos presentes na habitação. Este estudo teve como objetivo compreender de que maneira a organização espacial, a previsibilidade dos ambientes e o controle dos estímulos sensoriais podem contribuir para a adequação de espaços residenciais às necessidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A pesquisa caracterizou-se como qualitativa, exploratória, descritiva e de natureza aplicada, sendo desenvolvida em duas etapas. Inicialmente, realizou-se uma revisão bibliográfica sobre autismo, processamento sensorial, experiência espacial e estratégias projetuais. Em seguida, foram analisados dois projetos residenciais: a Suíte Refúgio do Autista, apresentada no Espírito Santo em 2024, e o espaço lúdico inclusivo desenvolvido por Sarah Barnard Design, divulgado em 2025. Os resultados demonstraram que soluções relacionadas ao controle acústico, à compartimentação, ao zoneamento sensorial, ao sequenciamento dos ambientes, aos espaços de transição, à segurança e à criação de áreas de refúgio foram incorporadas de formas distintas nos projetos. Também se observou que a adequação residencial não depende apenas da redução dos estímulos, mas da possibilidade de oferecer ambientes com diferentes condições de uso, movimento, permanência e afastamento. Concluiu-se que não existe uma configuração residencial única aplicável a todas as pessoas com Transtorno do Espectro Autista, sendo necessário considerar o perfil sensorial, as preferências e a rotina de cada usuário para que a habitação favoreça autonomia, orientação e apropriação do espaço.

Publicado

2026-10-16

Número

Sección

Arquitetura e Urbanismo