CONFORTO AMBIENTAL E DESEMPENHO TÉRMICO
ANÁLISE BIOCLIMÁTICA DE EDIFICAÇÃO NÃO RESIDENCIAL EM MANHUAÇU
Abstract
A arquitetura corporativa contemporânea frequentemente adota modelos estéticos internacionais, como grandes fachadas envidraçadas, que desconsideram as especificidades climáticas locais e resultam em alto consumo energético. O objetivo
geral deste trabalho consiste em analisar os parâmetros de conforto ambiental e eficiência energética de uma edificação não residencial localizada em Manhuaçu, no estado de Minas Gerais, avaliando sua adequação às diretrizes da Zona Bioclimática
3. A metodologia adotada possui natureza qualitativa, exploratória e descritiva, utilizando o método de estudo de caso de um edifício comercial de quinze pavimentos. Os procedimentos técnicos integraram pesquisa bibliográfica, análise documental e
visitas técnicas para observação visual e registro fotográfico da envoltória arquitetônica. Os resultados revelam que as fachadas principais do edifício apresentam um revestimento contínuo em pele de vidro que supera amplamente os limites recomendados pelas diretrizes normativas, sem apresentar elementos efetivos de proteção solar externa. Essa configuração favorece a ocorrência do superaquecimento interno por ganho térmico excessivo e anula o potencial de estratégias passivas de condicionamento, tornando o ambiente dependente de sistemas de climatização artificial, visto que as aberturas disponíveis são insuficientes para promover a ventilação necessária. Conclui-se que a edificação atende apenas parcialmente às diretrizes bioclimáticas regionais, demonstrando uma inadequação que valida a hipótese de que a negligência de estratégias passivas compromete a eficiência energética e o conforto térmico. O estudo evidencia a necessidade de compatibilizar a linguagem arquitetônica contemporânea com soluções responsivas ao microclima local para mitigar impactos ambientais e garantir a habitabilidade dos usuários.