O VERDE DESIGUAL

INFRAESTRUTURA E SEGREGAÇÃO SOCIOAMBIENTAL EM MANHUAÇU/MG

Autores

  • Paola Lopes Reis

Resumo

O presente trabalho insere-se no debate sobre a produção do espaço urbano nas cidades brasileiras, tomando a infraestrutura verde como elemento central para a compreensão das desigualdades socioespaciais. Parte-se da constatação de que o processo de urbanização no Brasil tem sido marcado pela priorização da infraestrutura cinza e pela subordinação dos elementos naturais às dinâmicas de expansão e valorização do solo urbano, resultando em uma distribuição desigual das áreas verdes e na consolidação de paisagens urbanas progressivamente impermeabilizadas. Questiona-se, assim, em que medida essa ausência configura uma limitação técnica do planejamento urbano ou se expressa, de forma mais ampla, como resultado de um processo estrutural de produção desigual do espaço, no qual o acesso aos benefícios ambientais é distribuído de maneira seletiva. A metodologia adotada baseou-se em levantamentos bibliográficos, analise documental e visitas técnicas in loco, com registros fotográficos e divisão do bairro em diferentes recortes espaciais. Os dados coletados foram analisados a partir de parâmetros do Plano Nacional de Arborização Urbana, com destaque para a aplicação da regra 3-30-300, que estabelece critérios mínimos para a qualidade da infraestrutura verde. Diante disso, o objetivo da pesquisa é analisar a configuração da infraestrutura verde na malha urbana de Manhuaçu, tendo como recorte o bairro São Francisco de Assis, a fim de compreender as lógicas que orientam sua distribuição e evidenciar como fatores socioeconômicos influenciam o acesso, a qualidade e a apropriação dessa infraestrutura no contexto urbano.

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Publicado

2026-10-16

Edição

Seção

Arquitetura e Urbanismo